Quando Lavava No Rio

Quando lavava no rio
Ao pé de um grande salgueiro
Olhei para cima e vi-o
Mas ele vi-me primeiro

Sentei-me de madrugada
Na minha cama vazia
Era uma alma penada
Nem sonhava nem dormia

Tu estrela da manhãzinha
Que me olhas lá do céu
Gostava que fosses minha
Que o teu brilho fosse meu

Deixai-me com passarinhos
Que quando andam no chão
Que saltando pelos caminhos
Me alegram o coração

Deixai-me viver nos montes
Comendo frutos da terra
Bebendo água das fontes
Deixai-me perder na serra

Correndo correndo a terra
Dá tantas voltas redondas
Voltas que fazem o vento
O vento que faz as ondas

Amália Rodrigues